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ENTREVISTA: Marcelo do ‘BBB’, antes de Gyselle, quis um homem da casa

Sunday, March 16th, 2008

Ele chora ao falar da paixão por Cajuína, mas faz segredo do seu objeto de desejo gay. Ainda na casa, disse que levaria Galego para uma ilha deserta

Luciana Tecidio Do EGO, no Rio

O polêmico participante da oitava edição do Big Brother Brasil caminha por um corredor de um hotel luxuoso, em frente à Praia da Barra da Tijuca, no Rio, até a suíte onde a equipe do EGO o aguarda. O mineiro Marcelo Arantes, 31 anos, usa óculos escuros, blazer cinza e calça jeans larga. Nos pés, o chinelo transado que foi sua companhia inseparável dentro da casa. Acompanhando-o, segue na frente seu assessor de imprensa e, atrás, a mãe, a professora de inglês Joana D’Arc de Oliveira Arantes. A cena não deixa dúvidas: Marcelo virou celebridade.

Durante a entrevista, o médico residente em Psiquiatria, que é abertamente bissexual, chorou ao falar de Gyselle. A emoção à flor da pele do ex-brother interrompeu a conversa duas vezes. Em todas elas sua mãe era solicitada para acalmá-lo. Ao enxugar as lágrimas, Marcelo revelou estar apaixonado por Gyselle e que ela também teria se interessado por ele.

Também disse que, antes de se encantar pela Cajuína, sentiu forte atração por um dos homens confinados. O futuro médico mantém em segredo a identidade do rapaz (mas ainda na casa revelou que, entre os homens, escolheria Rafael Galego para levar a uma ilha deserta). O fato é que, como o rapaz misterioso saiu logo no início do programa, surgiu seu interesse pela piauiense. “Estava num ambiente sob pressão, com uma carência sexual grande. Me apaixonei por ela e a desejei como mulher”, afirma.

EGO: Você realmente está apaixonado pela Gyselle?
MARCELO:
Já no hotel, durante a nossa coletiva de imprensa, ela me chamou atenção pelas formas, pelas cores da roupa que usava. A percebi isolada e fui atrás dela. Nos tornamos amigos. Ela foi alguém com que vivi uma história ali dentro… (Ele interrompe a entrevista, pede para desligar o gravador e começa a chorar. A mãe dele, que assistia, se aproxima e o consola. Marcelo enxuga as lágrimas e continua a falar, mas pede que Joana D’Arc fique ao seu lado.) Eu queria ali dentro uma pessoa que gostasse de mim, da forma que eu era. E eu iria respeitar isso até o fim. Tentei fazer todas as vontades dela, todas. Acredito que fui um grande apoio para ela e ofereci o que tinha de melhor. (Se emociona e chora de novo. A entrevista é interrompida até que ele se recupera e volta  a falar.)

Você dizia que foi um grande apoio para ela.
Quando percebi, no segundo paredão, que ela realmente tinha me desprezado por pensar que estar do meu lado seria ruim, me senti usado na hora e cobrei. Aí ela me chamou de maldoso. A Gyselle gostava de me ver falar coisas que não tinha coragem de dizer. Eu falava por ela também. A partir deste momento me voltei contra ela, num momento de fúria extrema. Falei palavras ambíguas, sabendo exatamente cada vírgula que dizia. Queria que ela soubesse que quando me referi ao passado dela, estava questionando o fato da Gyselle ter feito parte de um reality show fora do Brasil, onde a função dela era seduzir um homem casado.

Mas depois vocês voltaram às boas…

Depois disso ela passou a me olhar com desejo. E rolou interesse da parte da Gyselle. Antes estava tendo relacionamentos exclusivamente homossexuais e vivia ali um momento heterossexual. Estava num ambiente sob pressão, com uma carência sexual grande. Me apaixonei por ela e a desejei como mulher.

No final, deu para notar que você quase a agarrou.

Ela olhava para mim, fazia caras… Ela fingia bem. Eu ia atrás, investi, para ver no que ia dar.

Você pensa em se relacionar com a Gyselle fora da casa?

Vamos sair para conversar. Embora a Gysele pareça madura e forte, vejo que ela tem tabus. Nesse momento assumir qualquer romance com um rapaz declaradamente bissexual será polêmico demais para a imagem que ela quer passar. Isso talvez atrapalhe.

Gyselle é a primeira mulher por quem você se sentiu atraído depois que assumiu a sua homossexualidade?
Não. Já tive relacionamentos com outras mulheres depois. Tenho parceiras aqui fora. A gente viveu e vive histórias. Elas até me esperam, querem ficar comigo.

Você não se interessou por nenhum homem dentro da casa?

Teve um homem que me atraiu ali, mas não vou citá-lo. Ele tem opção heterossexual e sei que vou constrangê-lo. Ele saiu no começo do programa. Evito falar o nome porque quero ter um vínculo de amizade e numa sociedade conservadora como a nossa, posso prejudicá-lo.

Como fica a sua sexualidade agora que se descobriu apaixonado por uma mulher?
Eu falo disso muito abertamente. Quando Bial (Pedro) me perguntou se eu era bissexual, eu disse que sim e afirmo categoricamente. Mas, na véspera do paredão, na segunda-feira, 3, fiz uma ironia e disse que ‘estava hetero’. Para mim, sexualidade não é tabu. Encaro da forma que vier. Me interesso, sim, por pessoas interessantes, sejam elas mulheres, homens. Mas sempre uma pessoa de cada vez. (Risos.)

Ficou algum relacionamento aqui fora antes de entrar na casa?
Tinha sim, uma história com uma pessoa. Já liguei para ele. Muitas coisas aconteceram, preciso de um tempo.

Um assunto muito discutido aqui fora: você acha que a sua participação no BBB compromete a sua carreira de psiquiatra?
Acho que o BBB não vai prejudicar minha carreira. Muito pelo contrário. Viver uma experiência pessoal dessa só nos torna mais fortes. Várias portas vão se abrir. Também vou lançar um livro de ficção. O esboço já havia sido escrito antes de eu ir para o reality show e o confinamento me deu muito subsídio para terminar o texto.

Leia os bastidores da entrevista do Marcelo no Alterego, o blog da redação

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Créditos
Agradecimento pela locação ao Hotel Windsor Barra. Consultora de Moda: Helen Pomposelli. Produtora: Isabela Fuchs. Marcelo veste calça jeans Cavalera, blusa Reserva e tênis Wollner (look 1); calça jeans Cavalera e blusa listrada Reserva (look 2); calça Reserva, blazer preto Reserva e blusa laranja Reserva  e camisa xadrez Reserva e calça jeans Cavalera (look 4).