I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília

 

A saudação do poeta e repentista, Crispiniano Neto, integrante da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília, realizado no auditório do Teatro da Caixa, na noite desta quinta-feira (28), é um retrato do clima de descontração que permeou toda a solenidade.


Reunidos pela primeira vez na Capital da República, para discutirem políticas públicas para o setor, os artistas do Cordel e do Repente apresentaram ao presidente uma lista das principais reivindicações da categoria, que incluem o pedido do reconhecimento da arte como Literatura, a inclusão dos artistas do setor nos benefícios da Previdência Social e um espaço reservado na Televisão Pública para a apresentação da todas as expressões da arte do Cordel, entre outras coisas.


Autoridades como o ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), Franklin Martins, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o ministro das Relações Institucionais, Zé Múcio, o ministro Interino de Assuntos Estratégicos, Daniel Vargas, a primeira-dama, dona Marisa Letícia, o ministro da Educação, Fernando Haddad, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o governador da Paraíba, José Maranhão, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, e o presidente da Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, estiveram presentes na cerimônia, entre outras presenças ilustres.


Apesar do grande número de autoridades no evento, a noite foi mesmo dos cordelistas e repentistas que abriram a cerimônia e brindaram os presentes com suas trovas e versos. Devido ao atraso de duas horas no início da solenidade, o mestre de cerimônia encerrou as atividades sem passar a palavras aos integrantes da mesa de abertura do encontro, frustrando a expectativa do público de ouvir o presidente Lula.


Inconformada com a quebra do protocolo para cerimônias oficiais, a platéia bateu palmas e reivindicou algumas palavras do presidente. Lula atendeu ao pedido e falou de improviso, no mesmo tom de brincadeira com que foi saudado pelos artistas de Cordel.


Dirigindo-se para o poeta e repentista Crispiniano Neto, o presidente disse: “Eu conheço esse malandro desde 1979. Ele faz rasgados elogios ao Cara e depois apresenta a proposta para o Cara. Por coincidência eu estava falando ao Juca [ministro da Cultura] que poderíamos ter pelo menos uma hora na TV Pública para apresentar os artistas do Cordel e do Repente”, comentou.


O presidente instruiu os representantes do segmento artístico a formalizarem uma proposta com as reivindicações do Cordel e encaminharem à Presidência da República. “Crispiniano, junte aí a sua turma e encaminhem uma proposta para o Cara enviar aos ‘caras’ do Congresso Nacional. Também esses caras, os governadores e os prefeitos, podem fazer alguma coisa pela arte do cordel nos estados e nos municípios. Quem sabe, desta extraordinária noite em Brasília, a gente possa transformar essa choradeira do Crispiniano e dos repentistas em uma verdadeira ação de cidadania para o artista do Cordel no Brasil”, sugeriu.


O presidente Lula pediu ao ministro Juca Ferreira para que dedique uma atenção especial à arte do Cordel, a fim de criar uma estrutura que possibilite a legalização da vida artística e profissional deste setor. Para o presidente, os cordelistas e repentistas representam uma das poucas expressões artísticas nacionais que chegam aos pequenos municípios do sertão nordestino, onde não há outra oferta de Cultura a não ser “estes programas enlatados que nós conhecemos da televisão”, afirmou.


O I Encontro Nordestino de Cordel em Brasília foi uma promoção da Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno (Acrespo), com patrocínio da Caixa Econômica Federal e apoio do Ministério da Cultura. Na cerimônia o presidente da República foi brindado com o livro Lula na Literatura de Cordel, do poeta Crispiniano Neto, lançado durante o evento. Houve,  também, uma exposição de produtos de Cordel, incluindo folhetos, livros Cd’s e artesanato.

As atividades do evento serão encerradas nesta sexta-feira (29), após um dia inteiro dedicado ao debate das políticas públicas para o setor, com a participação de representantes do Ministério da Cultura, da Acrespo e do público interessado nesta arte. Para o encerramento estão previstas mais apresentações artísticas de representantes desta expressão da cultura popular brasileira.

Fonte: Minc